Escutar faz bem à alma e às angústias.
Aprendi com o povo do Rio Negro e Xié que as palavras acalentam a alma.
Que os cantos e danças podem quase curar saudades.
Que o Rio Negro banha o corpo e que esse banho me levará de volta as terras de lá.
Terras e rios dos povos que não vi nos livros de história.
Terras e rios dos povos de muitas histórias.
Percorrendo as corredeiras do Rio Negro ia a cada parada aprendendo a viver cada vez mais ali.
E foi em Anamuim, comunidade do Rio Xié, que escutei a melhor resposta sobre o que era a Vaga Lume, de um índio cheio de sabedoria, o senhor José Roberto.
“Vaga Lume é um bichinho que brilha, não é mesmo?! Quando agente vai pescar ou caçar a noite, a gente faz o fogo, logo os vagalumes chegam. Vaga Lume gosta de fogo, eles só vão onde brilha, é por isso que vocês estão aqui, somos fogo.”
Escutei atentamente seu José Roberto e aquelas palavras me ensinaram novamente o sentido de estar ali.
Poderia ter lido muitos livros, ouvidos muitos acadêmicos e assim quem sabe, resignificaria ainda mais o meu trabalho e paixão.
Encontrei em palavras simples, justificadas pela natureza, o sentido de fazer parte da Vaga Lume.
Vou aonde tem fogo, brilho porque sou povo e junto com o povo brilhamos muito mais!
Márcia Licá, após expedição de monitoramento a São Gabriel da Cachoeira, maio de 2011.